Sobre o Artista

Ahhhh, nasci em Recife em 29 de agosto de 1971. Então sou pernambucano. Certo. Com três anos me mudei pra João Pessoa-PB e vivi lá por 18 anos. Então, sou paraibano de coração (apesar de passar minhas férias sempre em Recife). Depois me mandei pra São Luís-MA e lá passei mais 5 anos antes de chegar a Brasília. Sou antes de qualquer coisa um brasileiro cabra da peste.

A música e a arte em geral perturbam a minha cabeça desde muito cedo. Na minha casa não tinha nenhum músico, mas os sons sempre me chamaram a atenção. A primeira vez que entrei num circo fiquei louco! Aquilo era o máximo. Na minha época, circo tinha música ao vivo (hoje é som mecânico e ruim!). Eu amava a bateria, o som dos pratos!

Minha infância foi marcada pelas manifestações populares de João Pessoa e Recife. Bumba-meu-boi, caboclinhos, lapinha, la ursa (papangu), o desfile de carnaval com tribos de índios, o maracatu....Depois vieram as músicas da rádio (e tome Luís Gonzaga). Eu me lembro ainda que na minha escola a gente escutava muito a chamada MPB. Foi no Marista que conheci Elis, Caetano, Gil, Milton, Beto Guedes, Lô Borges, A cor do som, Elba....

Na minha casa não tinha muito disco, mas sempre teve som. Minha mãe (dona Elza) gostava de três artistas básicos: Roberto Carlos, Ivanildo Sax de Ouro e Luís Gonzaga. Mas na década de oitenta foram chegando os sucessos pop e eu já curtia música “internacional”. Com 12 anos eu já sabia que seria músico (é uma intuição tão forte que não tem como negar!).

O meu desejo de aprender violão era imenso, massssss só pus as mãos no instrumento com 14 anos. Amor à primeira corda. Passei semanas, literalmente, pregado ao violão. Tocava pelo menos 5 horas por dia. Em um mês eu já tinha composto três músicas. Uma delas foi direto para um Festival de escola e tumm: ganhei, junto com minha amiga Leny Bergman, o prêmio de melhor intérprete. Tenho que resumir mais esta história né!

Desde o dia em que comecei a tocar violão a minha intenção era compor. Eu sempre digo: tem gente que nasce intérprete e gente que nasce compositor. Eu sou compositor desde sempre. As melodias me assombram e pedem pra ganhar o mundo. Se não ponho pra fora fico com dor de cabeça. É uma atividade orgânica (isso significa que precisa de muito suor também!).

Na adolescência eu conheci uma banda que seria fundamental para minha formação: o Pink Floyd. Vieram outras como Led, Doors, Velvet (Beatles nem tanto!). Foi bom ter vivido numa cidade pequena e nordestina. João Pessoa era (ou é!) provinciana e ao mesmo tempo cosmopolita. Lá se ouvia Antonio Barros e Cecéu, Luís Gonzaga e logo depois vinha um Led ou um Pink Floyd. Então, nossa cabeça era essa mistura. Alceu Valença, muito antes de Chico Science, mostrou essa violência sonora.

Putz, acho que isso está ficando longo, mas se você já chegou até aqui vamos até o fim. Neste momento eu realmente abracei a música como a parte mais importante de mim. Adotei, além do violão, a guitarra, a viola de 10 cordas e até alguns instrumentos de percussão (o pandeiro é outra paixão!). No Maranhão, toquei tambor de crioula por um ano e quando cheguei em Brasília comecei a trabalhar com trilha sonora original para cinema, teatro e televisão. Enfim, ser músico não é uma escolha é uma missão.